Pazuello nega ter sofrido ‘qualquer pressão’ de Lira

O general Eduardo Pazuello negou na noite desta terça-feira que tenha recebido “qualquer pressão” do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, durante sua gestão como ministro da Saúde. A manifestação, feita em nota divulgada pela Secom, contraria o que disse o deputado federal Luis Miranda em depoimento à PF.

“O Secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o, esclarece que não sofreu qualquer pressão do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, durante sua gestão no ministério da Saúde, para disponibilizar recursos da pasta em atendimento a demandas do parlamentar”, diz o comunicado divulgado há pouco.

À Polícia Federal, Miranda declarou que Pazuello revelou a ele, numa conversa, que recebeu pressões de Lira justamente para que liberasse recursos da pasta a aliados, cuja recusa seria a causa da sua demissão do Ministério da Saúde. O depoimento do parlamentar, em vídeo, foi enviado pela PF aos senadores da CPI da Pandemia e publicado pelo jornal O Globo.

Também em nota à imprensa, Lira disse que as declarações de Miranda deveriam ser respondidas por Pazuello e que, “sobre as demais informações propagadas, o deputado deverá responder no foro adequado, que é o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados”.

Segundo Miranda disse ao delegado da PF que investiga o caso Covaxin, ele alertou o ministro sobre possível corrupção na compra de vacinas. “Eu disse: ‘Pazuello, tá tendo sacanagem no teu ministério. Tem que agir, mermão’. Aí ele falou: ‘Sacanagem tem desde que eu entrei’. Com aquele jeitão carioca dele”, disse Miranda.

O deputado relatou ao ministro que havia procurado Bolsonaro para entregar documentos sobre corrupção no contrato da vacina indiana. Nesse momento, segundo o deputado, Pazuello citou o chefe da Câmara.

“O Pazuello olha pra mim e diz assim: ‘Deputado, posso falar a verdade? Eu passei seis horas andando de helicóptero com ele (Bolsonaro) e consegui dez minutos de atenção dele. Eu não consigo. Eu tenho coisas pra resolver com ele e, porra, no final do ano eu levei uma pressão tão grande que eu não sei exatamente como resolver. Uma pressão… Um cara’ (E eu perguntei) ‘Que cara?’ ‘O Arthur Lira, porra. O Arthur Lira colocou o dedo na minha cara e disse: Eu vou te tirar dessa cadeira, porque eu não quis liberar a grana pra listinha que ele me deu dos municípios que ele queria que recebesse. Ele bota o dedo na minha cara’”, disse Miranda sobre o suposto desabafo do general.

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