PF quer saber por que chinês pagou R$ 500 mil a marqueteiro de Bolsonaro

Investigações feitas pela Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos apontaram para o recebimento de valores suspeitos por parte do publicitário Sergio Lima, que atua como marqueteiro do Aliança Pelo Brasil, o partido que o presidente Jair Bolsonaro pretende criar. Segundo a PF, repasses que somam 500 mil reais foram feitos à empresa de Lima, a Inclutech Tecnologia da Informação LTDA por uma confecção localizada na Rua 25 de Março, região de comércio popular em São Paulo, e que pertence a um cidadão de origem chinesa.

A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o caso seja desmembrado para um inquérito próprio, a fim de investigar qual é a origem do dinheiro depositado para Lima. Além de pagamentos feitos pela Maschietti Confecções LTDA, o publicitário recebeu outras quantias consideradas suspeitas entre os dias 19 de abril de 2019 e 3 de maio de 2020. O advogado Luis Felipe Belmonte, vice-presidente do Aliança Pelo Brasil, transferiu 700 mil reais para a Inclutech e 1,05 milhão de reais para a conta pessoal de Lima.

Uma reportagem da Agência Pública, veiculada em 8 de maio de 2020, mostrou que a Inclutech era uma empresa de cosméticos até fevereiro do ano passado. Após mudar a atividade econômica da companhia, Lima passou a ter os serviços contratados por deputados federais do PSL. No pedido em que solicita um novo inquérito, a PF diz querer investigar as razões que levaram Bia Kicis (DF), General Girão (RN), Guiga Peixoto (SP) e Aline Sleutjes (PR) a transferirem um total de 30.300 reais da cota parlamentar ao marqueteiro.

Em depoimento à PF, Lima disse que os valores recebidos da confecção eram referentes a um empréstimo feito por um sócio “coreano” que havia ingressado na Inclutech. Lima identificou o parceiro comercial como “Jaco”, alegando que, “por ser coreano, não sabe precisar o nome do sócio”.

O publicitário também afirmou que as quantias recebidas de Belmonte dizem respeito à prestação de serviços nas redes sociais do advogado e a um empréstimo. Nove transferências, que totalizam 480 mil reais, foram feitas à Inclutech por meio do escritório de advocacia de Belmonte. Quando foi questionado sobre o motivo de ter recebido o montante nessas condições, Lima declarou que não acompanhou as negociações com Belmonte e pediu para que a PF solicitasse explicações de outro sócio da Inclutech, chamado Walter Bifulco.

O marqueteiro ainda afirmou que foi contratado pelos deputados do PSL por ter expertise em “marketing de performance”. Segundo o depoimento da deputada Bia Kicis, ele iria “uniformizar as redes sociais” e “treinar a equipe” responsável pelos perfis digitais.

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