Por que Malafaia queria tanto falar na CPI

Embora o pastor Silas Malafaia tenha se animado e instruído jornalistas e apoiadores a prepararem a pipoca para assistir sua participação na CPI da Covid, parece que o depoimento não vai acontecer. Malafaia estaria pronto para defender o governo, o tratamento precoce e apresentar uma “abordagem científica” a partir de sua experiência como psicólogo.

A ideia de chamar o pastor partiu do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que afirmou que Malafaia conversa e tem influência sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Em conversa com senadores, incluindo Flávio, Malafaia teria dito que participaria da comissão e abordaria o assunto a partir de uma visão científica, já que é psicólogo.

Em conversa com a coluna, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado a Malafaia, explicou que uma das coisas que mais incomoda o pastor é a falta de averiguação do que foi feito com o dinheiro repassado pelo governo federal aos Estados e municípios.

“A imprensa não fala quase nada sobre o maior problema dessa pandemia que é a roubalheira, desvio de recursos, a não compra do material necessário por estados e municípios. A maioria dos prefeitos pagou folha com recurso de Covid e ninguém toca nesse assunto. Agora, montar hospital, fazer o que devia ser feito, o dever de casa passado, ninguém fez”, afirmou o deputado.

Segundo Sóstenes, a credibilidade da figura eclesiástica também seria um motivo para Silas querer participar da CPI. O pastor queria, inclusive, explicar por que ele e Bolsonaro são a favor dos medicamentos no tratamento da Covid, mesmo que não haja comprovação científica para utilização. Malafaia ia defender o posicionamento do presidente, confirmar que tem conversado e aconselhado Bolsonaro e destacar que tudo tem sido testado em relação ao coronavírus, já que a doença é nova e não há muitas descobertas sobre o assunto.

“O vírus é novo, ninguém tem resposta pra tudo. Tudo que fazem hoje é experimento, é tentativa. Agora, a ciência só vai descobrir se um medicamento funciona tentando, dando autonomia médica pro médico receitar o que quer”, explica Sóstenes Cavalcante.

Malafaia se dispôs a falar, mas os senadores não parecem querer ouvir. Enquanto isso, a CPI segue confirmando as suspeitas sobre o atraso na compra das vacinas e o time de Bolsonaro permanece tentando defender o governo.

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