Presidente da Assembleia Legislativa do Rio rebate declaração de Witzel

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), respondeu ao governador afastado Wilson Witzel (PSC). Em entrevista exclusiva a VEJA publicada nesta sexta-feira, 23, Witzel chamou Ceciliano de “chefe da quadrilha” responsável por desviar milhões de reais dos cofres do Governo do estado. Em nota, o petista disse que Witzel “tem o direito de espernear”. “Entendo a mágoa que ele nutre contra mim, o que explica essas acusações sem provas. Mas a verdade é que ele teve o destino que ele mesmo cavou, através das relações que alimentou, envolvendo até mesmo a esposa em seus desatinos”, escreveu Ceciliano.

Witzel é réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por corrupção e lavagem de dinheiro e enfrenta também um processo de impeachment no Tribunal Especial Misto, formado por desembargadores e deputados. Ele é suspeito de ter recebido 554,2 mil reais em propinas, por intermédio do escritório de advocacia de sua mulher, Helena Witzel. O casal sempre negou qualquer irregularidade. Witzel e Helena foram alvos da Operação Tris In Idem, desencadeada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou Witzel como o “líder da organização criminosa” porque ele teria estabelecido um esquema de propina na contratação de hospitais de campanha, respiradores e medicamentos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus.

A VEJA, Witzel classificou Ceciliano como o novo capo – o chefão das máfias italianas – do Rio. “Quem estava organizando essa ação criminosa na Saúde não era eu, mas, na minha visão, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, o André Ceciliano. “O (ex) secretário (de Saúde) Edmar Santos foi à Alerj sem convite oficial e sem o meu conhecimento. Em depoimento, o Edson Torres (empresário preso sob acusação de envolvimento no esquema) diz que Ceciliano lhe pediu para que ele apresentasse ao Edmar outro empresário, o José Carlos Melo (identificado na investigação como o “homem do dinheiro” da quadrilha, também preso). José Carlos receberia contratos na Saúde e em troca, garantiu que ajudaria a pagar a mesada de dez ou doze deputados. O Edmar esteve até na casa do José Carlos. Está tudo nos autos do processo”, ressaltou Witzel. E completou: “Alguém orientou o Edmar Santos a fazer aquela delação (premiada). Ceciliano precisa ser investigado por tudo o que já apareceu. Por que só eu estou na mira do canhão?”

No fim da nota, Ceciliano ironizou o governador afastado: “Wilson Witzel não será apenas o primeiro governador cassado do Brasil. Ele será lembrado também como o mais biruta de toda a história, que mandou confeccionar uma faixa de governador para se sentir um imperador”.

 

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