Procuradores reeditam ideia de anti-candidatura de Ulysses

Procuradores federais decidiram manter a tradição de preparar uma lista tríplice para o mandato 2021-2023 na Procuradoria Geral da República (PGR). O presidente Jair Bolsonaro ignorou a lista em 2019, indicando o mais submisso dos PGRs, Augusto Aras, que o atraiu com o discurso contra a lista tríplice e a promessa de obediência. Aras tem cumprido o prometido. Agora ele está diante de duas possibilidades: ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo fontes do MP, sempre foi seu sonho maior, ou ganhar mais um mandato na Procuradoria-Geral, que é o mais provável.

A dúvida é: para que então fazer a lista tríplice? Bom, a história política do Brasil tem um exemplo maravilhoso e bem conhecido. Ulysses Guimarães, mesmo sabendo que o novo presidente seria o general Ernesto Geisel, fez uma campanha, viajou de Norte a Sul do país divulgando sua plataforma e ideias de liberdade. Não venceu, claro, a disputa no colégio eleitoral, que era um jogo de cartas marcadas, mas plantou suas ideias, levando à uma vitória importante da oposição nas eleições legislativas de 1974.

O processo de escolha da lista tríplice é muito intenso, permite vários debates entre os procuradores. Candidatos diferentes costumam convergir para pontos comuns de relevância para todos, há a mobilização e a disputa pelo voto. Nesse momento, em que o Ministério Público Federal enfrenta o maior risco desde a Constituição de 1988 – que consagrou sua independência -, nada melhor do que discutir os rumos institucionais do país. Uma coisa é certa, sejam quais forem os candidatos, a orelha de Augusto Aras é que vai arder.

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