Queiroga assumiu como dele o veto à médica que o Planalto não quis nomear

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, continuou tentando o mesmo equilibrismo sobre o qual falei aqui na coluna. Mas nesta terça-feira, 8, ele exagerou. O ministro assumiu como sendo dele o veto à médica Luana Araújo, apesar de ter dito a ela o contrário. Luana disse à CPI que foi um veto do Planalto. O próprio Queiroga entrou em contradição ao dizer que o regime é presidencialista e toda nomeação precisa de “validação política”.

Isso claramente foge aos fatos. A médica começou a ser combatida pelas milícias digitais por postagens contra a cloroquina. O Palácio não quis nomeá-la e ele, Queiroga, aceitou o veto. Agora assume como sendo dele. O detalhe é que o ministro da Saúde está depondo como testemunha, não pode mentir.

Outra contradição em que entrou foi o de defender a adoção de medidas de proteção, como distanciamento e máscara, mas não quer dizer nada sobre o comportamento do presidente de estimular as aglomerações e o não uso de máscara. Saiu-se dessa fratura exposta, entre o que ele diz e o que faz o presidente, com a frase: “não sou censor do presidente”.

Neste aspecto, o depoimento do ministro da Saúde está sendo uma perda de tempo para a CPI. Ele está perdendo a segunda oportunidade de descrever os fatos como eles são.

Uma novidade da oitava de hoje surgiu quando Queiroga disse que não vai comprar a oferta de 30 milhões da Coronavac, porque já comprou outras vacinas e tem o suficiente. O ministro pode acabar repetindo o mesmo erro do passado.

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