Queiroga é um político jeitoso travestido de médico

E se não passarem de notícias falsas as que dão conta de que as UTIs estão lotadas com pacientes da Covid-19? O que garante que parte deles não padeça de outras doenças?

O presidente Jair Bolsonaro tentou plantar essa dúvida na última quinta-feira quando comentou com um grupo de devotos seus:

– Parece que só morre de Covid. Você pega, você pode ver… Os hospitais estão com 90% das UTIs ocupadas. Quantos são de Covid e quantos são de outras enfermidades?

Será mais um trabalho para o próximo ministro da Saúde, o cardiologista e bolsonarista de raiz Marcelo Queiroga. O presidente quer que ele inspecione UTIs para descobrir a verdade.

A exemplo do general Eduardo Pazuello, o ministro que demora a sair, para Queiroga missão dada é missão cumprida. Quando nada porque manda quem pode, obedece quem tem juízo, e ele tem.

Nos corredores quase desertos do Congresso, mas principalmente ao telefone, deputados e senadores confessam sua frustração com a escolha de Queiroga para substituir Pazuello.

Foi uma escolha doméstica, familiar, que não atendeu à indicação de ninguém – salvo ao senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), o Zero Um, às voltas com acusações de corrupção.

Entre seus amigos, Queiroga é lembrado mais por seu amor à política do que por seu amor à medicina. É bom de conversa, jeitoso no trato e tem ambição.

Mas se Bolsonaro, mais adiante, precisar trocá-lo, o fará sem perder uma noite de insônia. De insônia, porque a cada dia ele dorme menos.

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