Queiroga enfrenta o “pelotão da cloroquina”

Quarto ministro da Saúde em 14 meses de pandemia, Marcelo Queiroga ainda não conseguiu prevalecer na dinâmica política do próprio ministério.

Perdeu a primeira batalha pública quando a médica Luana Araújo se demitiu dez dias depois de anunciada como chefe da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19.

Ela percebeu que o ambiente no governo não é muito favorável a políticas sanitárias baseadas em ciência.

Queiroga, cardiologista, tem se esforçado para deixar explícita sua convicção nas premissas científicas para mudar o rumo das iniciativas do Ministério da Saúde na crise pandêmica.

Ainda não conseguiu. O ministério continua fatiado e sob forte influência de pessoas alinhadas às prescrições políticas de Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.

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Em áreas-chave permanecem duas dezenas de assessores legados pelo general Eduardo Pazuello, ex-ministro, que se apresentou no palanque de Bolsonaro em comício no Rio, no domingo. São conhecidos como “pelotão da cloroquina”.

Ontem, na CPI da Pandemia, a secretária de Gestão do Trabalho e de Educação, Mayra Pinheiro, demonstrou como o poder de decisão permanece fracionado no ministério.

Ela fez uma veemente defesa das virtudes da cloroquina na política governamental para a Covid-19, algo que o ministro havia descartado com todas as letras na semana anterior, no mesmo plenário.

Depois de escutar a secretária advogar pela cloroquina durante quatro horas, o senador Alessandro Vieira foi retrucou: “A senhora acredita no que fala, mas só acreditar não transforma isso em verdade.”

Em Brasília, já se aposta no tempo de resiliência (ou paciência) de Queiroga diante do “pelotão da cloroquina”.

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