Queremos evitar que o estado vire um novo Amazonas, diz governador do Acre

Desde o início da semana, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), diz que está enfrentando uma “terceira guerra mundial” no estado, com a soma de quatro crises simultâneas — explosão nos casos de Covid-19 e falta de vacinas, surto de dengue, enchentes que atingiram mais de 120.000 pessoas e uma crise migratória de haitianos que já entraram em conflito até com o Exército peruano.

“A situação é muito crítica e temerosa. Prevejo um aumento ainda maior nos casos de infectados por Covid-19, dengue e leptospirose nos próximos dias. Eu estou me antecipando para evitar que o Acre se transforme num novo Amazonas”, disse o governador a VEJA, referindo-se ao colapso no sistema de saúde do estado vizinho, ocorrido em janeiro, no qual pacientes acabaram morrendo asfixiados por falta de oxigênio nos hospitais.

Com as mesmas dificuldades logísticas do Amazonas — e com a adversidade a mais dos alagamentos que isolaram cidades inteiras e desabrigaram milhares de pessoas –, o governo estadual se apressou a montar usinas de oxigênio para abastecer os hospitais da região. Nas últimas duas semanas, já foram construídas três delas e mais três são esperadas para os próximos dias.

“A situação é muito crítica e temerosa. Prevejo um aumento ainda maior nos casos de infectados por Covid-19, dengue e leptospirose nos próximos dias. Eu estou me antecipando para evitar que o Acre se transforme num novo Amazonas”

“Estou conseguindo isso com o governo federal para ter 100% de segurança de que não ocorrerá uma crise semelhante”, diz Cameli, que foi a Brasília na terça-feira, 23, e retornou ao estado com o presidente Jair Bolsonaro e os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, da Defesa, Fernando Azevedo, e da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, nesta quarta-feira, dia 24.

Cameli pediu ao governo federal que ajude na logística para começar a transferir pacientes do Acre para outros estados — no Amazonas, foram transferidos mais de 500 pessoas. Além do Acre, outros três estados da região Norte (Rondônia, Roraima e Amazonas) se encontram com mais de 90% de ocupação nos leitos de UTI.

Moradores tentam salvar pertences em meio a alagamento em Rio Branco, capital do Acre./Divulgação

“Qualquer remoção que seja, já é pelo menos um novo leito a mais disponível”, afirma o governador. Pesquisadores apontam que o recrudescimento da pandemia no Norte tem relação com uma nova cepa do coronavírus detectada no Amazonas, que seria mais transmissível do que o vírus padrão.

Haitiana passa mal durante tumulto na ponte que separa o Acre da região de Iñapari, no PeruAlexandre Noronha/Amazônia Real/Divulgação

O governador também fez um apelo para que o Acre receba mais vacinas do que os outros estados diante da situação calamitosa – o estado decretou estado de emergência em dez cidades, incluindo a capital, Rio Branco, em função da pior enchente da sua história desde 1997. “Não é porque o Acre é melhor do que os outros estados, mas essa situação pode se espalhar para o resto do país. Em janeiro, nós concordamos em diminuir o nosso lote para atender o Amazonas. Agora, ficou acordado que vão aumentar a quantidade para nos atender”, afirmou Cameli. O avião presidencial de Bolsonaro, que desembarca hoje em Rio Branco, traz no bagageiro 21.000 doses de vacinas.

O governador, que é do mesmo partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), também declarou a necessidade de mais verba federal. “Nós só temos dinheiro disponível para manter o sistema funcionado para mais 60 dias”. Segundo dados oficiais da Secretaria Estadual da Fazenda, o Acre recebeu mais de 172 milhões de reais da União para o combate à Covid-19.

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