Sem garantias sólidas, não haverá ajuda internacional ao Brasil

O presidente Jair Bolsonaro encontrou a melhor forma de indicar com que disposição participará a partir de hoje da Cúpula do Clima convocada pelo presidente americano Joe Biden e que reunirá 40 chefes de Estado: aproveitou em Brasília o feriado de 21 de abril para reunir auxiliares em um almoço de homenagem a Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.

De Salles, diz-se que é o carrasco do meio ambiente desde que sentou praça no ministério. Se alguém pode ser nomeado como carrasco, ele atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro, vulgo Cavalão, como era chamado nos seus tempos de quartel porque se destacava nas provas de corrida. Uma vez que se destacou também por planejar atentados à bomba, o Exército o afastou.

A Cúpula do Clima servirá de preparação da 26ª Conferência das Partes sobre a Mudança Climática, a ser realizada em Glasgow, em novembro deste ano, com o objetivo de atualizar o Acordo de Paris, de 2015. Há os que observam sinais de mudança na postura do governo Bolsonaro quanto ao enfrentamento dos problemas ambientais; são os otimistas de sempre ou os ingênuos.

Em abril do ano passado, em meio à reunião ministerial que se tornaria famosa com o anúncio feito por Bolsonaro de que pretendia intervir na Polícia Federal, o ministro da Educação da época, Abraham Weintraub, sugeriu a prisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal, e Salles que não haveria melhor momento senão aquele para “passar com a boiada”.

A pandemia mal começara, mas a mídia já se ocupava dela. Não prestaria atenção, segundo Salles, em medidas que avançassem para desregulamentar o setor de proteção do meio ambiente. Mais liberdade, portanto, para a derrubada de florestas, para a mineração legal ou ilegal em áreas indígenas, e para a ocupação pela agricultura e pecuária de áreas preservadas até aqui.

A Amazônia é nossa, unicamente nossa como o petróleo foi um dia. É descabida a pressão internacional para que o Brasil zele pelo meio ambiente porque os demais países, principalmente os mais poderosos e os que mais reclamam, degradaram a natureza a um ponto de quase não retorno. Na essência, esse continua sendo o discurso do governo Bolsonaro, herdado da ditadura de 64.

Que mudança de postura notou-se desde abril? Às vésperas de pôr a cara à tapa na Cúpula do Clima, preocupado com as pressões internas do agronegócio, Bolsonaro, aconselhado por Salles, resolveu cobrar caro para simular produtividade. Quer dinheiro, muito dinheiro de outros países para cuidar da Amazônia. O que seria sua obrigação virou uma oportunidade de negócios.

Sem que ofereça garantias sólidas de que fará o que promete, não haverá dinheiro. A palavra do presidente do Brasil não inspira a menor confiança. Ele, e mais ninguém, só tem feito desonrá-la. O país tornou-se um pária internacional. Só deixará de sê-lo depois que Bolsonaro for substituído. Simples assim.

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