Sem lockdown: novo ministro se equilibra entre a ciência e o bolsonarismo

O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, sabe que tem uma missão espinhosa pela frente: conciliar o que prega a ciência – ele é médico, defende a vacina e preside a Sociedade Brasileira de Cardiologia – e a resistência do presidente Jair Bolsonaro a questões já consagradas pelos especialistas em relação à Covid-19, como a eficiência do distanciamento social e a inutilidade do chamado “tratamento precoce” (uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença, como cloroquina e ivermectina).

Suas primeiras declarações públicas mostram que é nesse fio da navalha que ele pretende caminhar. Em entrevista à CNN Brasil na noite de segunda-feira, 15, ele já descartou o lockdown como uma “política de governo” no combate ao vírus. Bolsonaro faz campanha aberta, quase diária, contra as medidas de restrições adotadas nos estados.

“Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, afirmou Queiroga. Ele repetiu ainda um mantra de Bolsonaro de que é necessário “assegurar que a atividade econômica continue, porque a gente precisa gerar emprego e renda”.

Na mesma entrevista, questionado sobre outra fixação do presidente, o uso da cloroquina, ele desconversou: “Isso é uma questão médica. O que é tratamento precoce? No caso da Covid-19, a gente não tem um tratamento específico. Existem determinadas medicações que são usadas, cuja evidência científica não está comprovada, mas, mesmo assim, médicos têm autonomia para prescrever”, ponderou.

Na manhã desta terça-feira, 16, ao chegar para uma reunião com o ainda ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, Queiroga deixou claro que a política de enfrentamento do coronavírus não é do ministério, mas da gestão Bolsonaro. “O governo está trabalhando. As políticas públicas estão sendo colocadas em prática. O ministro Pazuello anunciou todo o cronograma da vacinação. A política é do governo Bolsonaro. A política não é do ministro da saúde. O ministro saúde executa a política do governo”, disse.

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