Sem motivo para sorrir

Como o ministro Marco Aurélio não julgou o mérito, o placar real pelo qual o STF confirmou a abertura da CPI da Covid é 10 a zero. E tem gosto de 11 a zero, porque Marco Aurélio acredita que a decisão de Barroso não deveria sequer ser examinada pelo plenário. Nem mesmo Kassio Marques ousou votar contra. A CPI uniu o Supremo a tal ponto, que conseguiu o milagre de fazer com que Gilmar Mendes elogiasse um voto de Luís Roberto Barroso.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, em decisão estapafúrdia tomada para fazer média com Bolsonaro, ampliou o objeto da CPI para incluir a investigação do destino dado pelos governadores aos recursos federais. A ampliação é irregular e estapafúrdia, mas inócua. Afinal, a CPI já podia investigar isso, e, no frigir dos ovos, vai investigar o que a maioria quiser, e a maioria é oposicionista.

O esforço da tropa de choque bolsonarista de para empurrar a CPI para depois que estiver todo mundo vacinado — usando a pandemia como pretexto para não investigar a pandemia —também deve dar com os burros n’água. Afinal, se Pacheco aceitar o argumento e adiar a CPI, é óbvio que a oposição voltará ao STF para reclamar, e é parece óbvio que vai ganhar de novo.

No mesmo dia em que o STF confirmou a CPI, o Ministério Público processou o general Pazuello e mais cinco funcionários do Ministério da Saúde por causa do desastre em Manaus. A ação só surpreende por não ser na esfera penal, mas a noite é uma criança.

Pazuello saiu do governo meio brigado porque disse que sua demissão se deveu a pressão de políticos corruptos, perdeu o foro privilegiado e é uma das personalidades mais desprezadas e odiadas da República. Está abandonado. Estará entre as primeiras pessoas a ser ouvidas pela CPI, e é provável que seja convocado mais de uma vez: ganha um carregamento de cloroquina quem imagina que sua defesa não será dizer que obedeceu ao que o mandante mandou. Não se espera comportamento diferente de seus cinco sequazes.

E ainda tem o imbroglio do orçamento federal, para o qual não existe solução.

Na terça-feira, depois da instalação da CPI, no cercadinho do Alvorada, pediram ao presidente que sorrisse para fotos.

“O dia que eu passei e (você) quer que eu sorria?”, respondeu Jair Messias.

Recomenda-se aos frequentadores do cercadinho que passem uma temporada sem pedir sorrisos ao Mito.

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