Tabagistas não conseguem largar o cigarro mesmo sabendo dos riscos à saúde

Muitos adultos com histórico de doenças cardiovasculares seguem fumando cigarros e/ou outros produtos do tabaco, mesmo cientes de que o hábito aumenta o risco cardíaco. Esta é a principal constatação de uma pesquisa publicada no Journal of the American Heart Association.

O estudo, que avaliou 2.615 pessoas maiores de 18 anos com histórico de ataque cardíaco, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e outras doenças cardiovasculares durante cinco anos, mostrou que menos de um quarto dos participantes tinha parado de consumir tabaco. Adicionalmente, a participação em programas formais de apoio para interrupção do tabagismo diminuiu de 10% dos entrevistados durante a segunda fase da pesquisa para, aproximadamente, 2% ao término da análise. Por outro lado, a maioria (95,9%) relatou saber ou acreditar que fumar pode causar doenças cardiovasculares em fumantes. “É preocupante que um percentual tão pequeno de usuários de cigarros com doenças cardiovasculares participe de programas de apoio para parar de fumar, mesmo cientes dos riscos à saúde promovidos por esse hábito”, explica o pneumologista Luiz Fernando Pereira, do Grupo Oncoclínicas, que lança hoje o “Desafio 21 Dias Sem Cigarro.”

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco responde por 8 milhões de mortes no mundo e, em torno 1,2 milhão deste total, são não fumantes expostos passivamente à fumaça de cigarros. No Brasil, são 156 mil vidas perdidas por ano – uma média de 428 por dia no país em consequência da dependência em cigarros – sendo que 50 mil dos óbitos ocasionados pelo fumo no Brasil são por câncer. “Quem fuma tem risco de morte aumentado em três vezes. E, em qualquer uma de suas formas, o tabaco causa a maior parte de todos os cânceres de pulmão: em cerca de 90% dos casos diagnosticados, a doença está associada ao consumo de cigarros”, afirma alerta a oncologista Clarissa Mathias, do Grupo Oncoclínicas e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

A pandemia agravou a dependência do cigarro. Dados da Fundação Oswaldo Cruz apontam que 34% dos fumantes brasileiros declararam ter aumentado o número de cigarros fumados em 2020. O crescimento foi maior entre pessoas de menor escolaridade (45,1%) e entre mulheres (38,1%). O fenômeno está associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas, com piora de quadros de depressão, ansiedade e insônia, principalmente pelos medos e incertezas em relação à crise causada pela Covid-19.

Abaixo, as 21 dicas para serem seguidas, uma por dia, sugeridas pelo Grupo Oncoclínicas. O objetivo é ajudar a reduzir a ansiedade e a necessidade do cigarro.

  1. Ao acordar se comprometa a não fumar
  2. Anote os três maiores motivos para deixar de fumar
  3. Anote os cigarros mais difíceis de cessar e elabore uma mudança comportamental para superá-los
  4. Anote três hábitos ou gatilhos que aumentam o seu risco de fumar
  5. Faça uma pequena caminhada
  6. Beba água nos momentos de fissura
  7. Inicie ou aumente as atividades físicas
  8. Converse com um amigo
  9. Leia um texto curto
  10. Acesse um vídeo relaxante
  11. Masque uma goma ou chupe uma bala com pouco açúcar
  12. Inspire lenta e profundamente pelo nariz e expire lentamente pela boca
  13. Repita mentalmente por várias vezes – eu não me permito fumar!
  14. Modifique ou evite uma rotina que aumentava o risco de fumar
  15. Evite uma situação (gatilho) que aumenta o risco de fumar
  16. Evite um hábito que aumenta o risco de fumar
  17. Anote os benefícios alcançados após alguns dias sem fumar
  18. Limpe seu carro para retirar o odor do tabaco
  19. Evite locais com fumantes

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