O Senado Federal começará a legislatura de 2027 com o Partido Liberal (PL) como maior bancada, segundo o levantamento divulgado pela Agência Senado. A legenda deverá ocupar 29 das 81 cadeiras da Casa, à frente do Partido dos Trabalhadores (PT), que terá dez senadores, do MDB, com oito, e do Progressistas (PP), com seis.
A configuração projetada foi divulgada em 25 de outubro de 2026, após a conclusão das eleições gerais. Embora os resultados das urnas já indiquem a distribuição partidária, a composição ainda não é totalmente definitiva. A situação do registro da candidatura de Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná, será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
PL terá maior bancada do Senado
Com 29 integrantes, o PL reunirá a maior força partidária do Senado a partir de fevereiro de 2027. O PT aparecerá na segunda posição, com dez cadeiras, enquanto MDB e Progressistas formarão bancadas de oito e seis senadores, respectivamente. Ao todo, a nova composição deverá reunir representantes de 13 partidos.
A distribuição terá impacto direto na formação de maiorias, na condução das votações e nas negociações políticas dentro da Casa. O Senado participa da análise de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, além de exercer atribuições específicas, como a apreciação de indicações para determinados cargos públicos. Por isso, o tamanho das bancadas será um dos elementos centrais da relação entre o Congresso Nacional e o governo federal.
A presença de uma bancada numericamente dominante não significa, por si só, controle das decisões do plenário. A aprovação de matérias depende da construção de acordos entre partidos e, em determinados casos, de quóruns específicos. A configuração anunciada, contudo, dará ao PL uma posição de destaque nas negociações políticas da próxima legislatura.
Renovação alcança 54 cadeiras
As eleições de 4 de outubro de 2026 renovaram 54 das 81 cadeiras do Senado. De acordo com a Agência Senado, a mudança representa aproximadamente 74% do total da Casa. O índice resulta do modelo eleitoral do Senado, que prevê a renovação alternada de um terço e dois terços das vagas a cada eleição, em vez da substituição completa dos parlamentares.
A renovação deverá alterar o perfil político da instituição e incorporar ao plenário senadores eleitos em diferentes estados e pelo Distrito Federal. Também haverá mudanças decorrentes da eleição de parlamentares para governos estaduais. Quando um senador assume o comando de um estado, a vaga no Senado passa a ser ocupada pelo suplente previsto na chapa eleitoral.
Esse movimento pode modificar a composição efetiva das bancadas ao longo da legislatura, mesmo depois da posse dos eleitos. A substituição, nesse caso, não depende de uma nova eleição para o Senado, porque o suplente assume conforme as regras do mandato obtido pela chapa.
Presença feminina pode chegar a 19 senadoras
Outro dado da composição projetada é o possível aumento da representação feminina. A nova legislatura poderá contar com 19 mulheres, o equivalente a 23,5% das 81 cadeiras do Senado. O número indicado pela Agência Senado considera o resultado eleitoral e as substituições previstas para a formação da Casa em 2027.
A presença feminina continuará sendo minoritária no plenário, mas será um dos aspectos observados na configuração do Senado. A distribuição por partido, região e gênero compõe o cenário político no qual serão discutidas propostas do governo federal, projetos apresentados pelo Congresso e matérias relacionadas à organização institucional do país.
Registro de Dallagnol pode alterar resultado
A principal pendência jurídica apontada no levantamento envolve Deltan Dallagnol, eleito senador pelo Paraná. O TSE ainda precisa decidir sobre a situação do registro de sua candidatura. Caso o registro seja indeferido, os votos recebidos poderão ser anulados e uma eleição suplementar poderá ser convocada para preencher a vaga.
Essa possibilidade impede que a composição apresentada seja tratada como definitiva. Uma eventual nova eleição no Paraná poderá alterar a representação partidária e o número final de integrantes de uma legenda no Senado. Até a decisão da Justiça Eleitoral, portanto, os dados divulgados funcionam como uma projeção baseada no resultado das urnas.
A futura composição do Senado combina três movimentos principais: a liderança do PL, a entrada de parlamentares eleitos em 2026 e a substituição de senadores que assumirão governos estaduais. O julgamento do registro de Dallagnol acrescenta um fator judicial ao processo e mantém aberta uma etapa importante antes da consolidação da Casa que iniciará os trabalhos em 2027.