Uma internação hospitalar pode representar desafios diferentes para pacientes jovens e idosos, especialmente quando existem doenças crônicas e limitações de mobilidade. Nesse contexto, o Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, está ligado a uma especialidade que ganha relevância diante das transformações demográficas brasileiras. O aumento da população idosa exige que os hospitais repensem procedimentos, ampliem a integração entre profissionais e considerem aspectos que ultrapassam o diagnóstico inicial.
Por que o aumento de idosos exige mudanças nos hospitais?
O crescimento da população idosa está associado à transição demográfica, processo caracterizado pela redução das taxas de fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida. Essa mudança modifica o perfil das demandas hospitalares, pois amplia a participação de pacientes que podem apresentar diferentes condições crônicas e necessitar de acompanhamento por períodos prolongados. Consequentemente, os serviços de saúde precisam adaptar sua estrutura e seus recursos para atender a uma população com necessidades assistenciais cada vez mais diversificadas.
Entre as situações que exigem atenção estão doenças cardiovasculares, diabetes, problemas respiratórios e alterações neurológicas. Entretanto, a presença de múltiplos diagnósticos não significa necessariamente maior gravidade em todos os pacientes. O desafio hospitalar consiste em compreender como essas condições interagem e quais fatores podem comprometer a recuperação durante uma internação. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essa análise também permite identificar possíveis complicações relacionadas aos tratamentos e estabelecer prioridades conforme as condições individuais.
Além disso, hospitais tradicionalmente organizados para responder a episódios agudos precisam considerar necessidades relacionadas à funcionalidade e à reabilitação. Tratar uma infecção, por exemplo, pode resolver o problema que motivou a internação, mas não garante que o paciente consiga retornar imediatamente às atividades realizadas antes da hospitalização. Por esse motivo, o planejamento assistencial deve contemplar medidas que favoreçam a recuperação da mobilidade e a preservação da independência funcional.

Como as internações podem afetar a autonomia dos idosos? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
Durante uma internação, períodos prolongados de repouso podem contribuir para a perda de força muscular e a redução da mobilidade. Em pessoas idosas, especialmente naquelas que já apresentam fragilidade, essas alterações podem ocorrer rapidamente e dificultar atividades como caminhar, levantar-se da cama ou utilizar o banheiro sem assistência.
Na geriatria, área de formação do Doutor Yuri Silva Portela, a avaliação funcional permite considerar não apenas a doença responsável pela hospitalização, mas também as capacidades que o paciente possuía anteriormente. Comparar essas condições ajuda a identificar perdas relacionadas ao período de internação e necessidades específicas de recuperação.
O atendimento multidisciplinar pode melhorar a recuperação?
A complexidade de determinados quadros clínicos torna importante a participação de profissionais de diferentes áreas. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e outros especialistas podem contribuir para identificar necessidades que ultrapassam o diagnóstico principal. Entretanto, a presença de várias equipes não garante, isoladamente, que o atendimento esteja integrado. Para isso, é fundamental que as informações sobre o paciente sejam compartilhadas de maneira organizada, permitindo decisões coerentes entre os profissionais envolvidos.
A fisioterapia pode auxiliar na preservação da mobilidade, enquanto o acompanhamento nutricional permite reconhecer dificuldades alimentares e riscos de desnutrição. A enfermagem também desempenha funções essenciais na prevenção de lesões, no acompanhamento dos medicamentos e na identificação de alterações clínicas durante a internação. A atuação complementar dessas áreas contribui para reconhecer problemas que poderiam passar despercebidos em avaliações concentradas exclusivamente na doença responsável pela hospitalização.
Para que essas intervenções funcionem de maneira coordenada, o Doutor Yuri Silva Portela destaca que é necessário estabelecer objetivos compartilhados. Um paciente que apresenta melhora nos exames, mas continua incapaz de caminhar com segurança, pode precisar de medidas adicionais antes da alta. Dessa forma, a recuperação passa a ser avaliada também pela capacidade de retomar atividades cotidianas. Esse acompanhamento permite identificar necessidades de reabilitação e organizar estratégias para reduzir dificuldades durante o retorno ao ambiente doméstico.