Auxiliar de Castro diz que a gestão iria ‘evoluir’ junto com o tráfico

A conversa do secretário de Administração Penitenciária do Rio, Raphael Montenegro, com o traficante Luiz Claudio Machado, o “Marreta”, que liderava guerras no Rio de Janeiro, mostra como o auxiliar de Cláudio Castro buscava estabelecer uma espécie de pacto com os criminosos da capital para que todos saíssem ganhando. Montenegro e mais dois auxiliares foram presos pela Polícia Federal nesta terça por causa dos diálogos e da conduta diante dos criminosos.

O secretário queria ter voz influente junto aos criminosos para estabelecer uma espécie de crime organizado mais elegante, com regras e com todos os criminosos respeitando seus espaços, como fica evidente nesse trecho.

Diz Montenegro ao traficante Marreta: “Aí cada um, cada um avalia do jeito …(Ininteligível)…, se é vantagem, se é rentável, a gente está pronto pra guerra, a gente é o Estado, se o Estado não der conta, a gente vai pedir pro Federal, se o Federal não dar conta, a gente vai pedir pro Exército, se o Exército não dar conta, a gente vai pra ONU, se a ONU não der certo a gente vai pedir ajuda na lua! Então assim não tem isso cara, o Estado sempre é maior que a facção. Agora a questão é o seguinte, o que vocês querem? Vocês querem vender tua parada na boa, ter seu lucro e tocar a vida?! Assim, ninguém, ninguém, eu digo, ninguém no mundo consegue impedir isso, o mundo inteiro tem tráfico de droga, o mundo inteiro, agora, porque só no Rio, ou mais, mais expressivamente no Rio é essa merda?! Então, assim, a evolução de vocês vai provocar nossa evolução, o Estado é sempre um Estado reativo, então assim, o papo é esse, agora o que a gente precisa entender é o seguinte pô, o cara voltando, ele vai ser um cara que vai cooperar pra essa mentalidade ou ele é um cara que, pô lá trás foi um cara de guerra, que gosta de guerra, quer cair dentro, quer tomar o morro de A de B e de C”.

Para Montenegro, se os criminosos seguissem as regras dele, até o lucro aumentaria porque não precisaria mais comprar 400 fuzis. Com 100 a defesa da facção seria garantida.

“Eu não vou falar para você que não vai entrar telefone, vai entrar! Agora, mas também tem o seguinte, eu vou tentar segurar esse telefone, e vou dar geral. Assim, a gente dá esse espaço pra, pra, pra facção, tipo assim, dá espaço pra todas facções, não especificadamente o COMANDO, a gente dá esse espaço pra facção, mas a gente não quer nada de vocês cara, não tem sacanagem, ninguém quer dinheiro, ninguém quer porra nenhuma de vocês. Agora, a gente quer cobrar, a gente quer, a gente quer sentar olhar, olho no olho, e poder cobrar. Você não tem nada também falar, porra não tá podendo me cobrar que aquela parada ali eu tirei um dinheiro por fora, que aí vai ser aquele papo que vocês já deram várias vezes, pó tu não tá podendo( …)”, diz o secretário.

“A gente sabe disso (…) e a ideia, a ideia é a gente usar essa possibilidade de vocês voltarem exatamente para mostrar isso, não só entre nós mas pros caras lá fora, mostrar que assim o COMANDO não é mais aquele COMANDO da guerra, o COMANDO quer vender as parada dele e tá tudo certo, e ter o lucro dele, que é mais barato pra vocês não ter guerra, se vocês não precisarem de 400 fuzis, tiverem só 100 pra se defender, o lucro é maior pô(…)”, segue o secretário.

O desembargador Paulo Cesar Morais Espírito Santo, que ordenou as prisões, registra quem é Marreta, o interlocutor que o secretário tentava convencer a se deixar tutelar. “Segundo a Autoridade Policial, antes de ser preso no Paraguai, Luiz Cláudio Machado, membro do Comando Vermelho, era um dos bandidos mais procurados do Rio de Janeiro. ‘Marreta’ era o principal responsável pelas disputas territoriais que, nos últimos dois anos, aterrorizam moradores das zonas Norte e Oeste da cidade, em especial nas favelas da região de Jacarepaguá. Um dos principais traficantes do Comando Vermelho, ele também participou dos ataques contra UPPs no Complexo do Lins”, diz o magistrado.

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