Alex Nabuco dos Santos acompanha o avanço da digitalização financeira global e observa que parte relevante dessa transformação começa a produzir efeitos concretos no mercado imobiliário. Em 2026, a tokenização de ativos deixa de ser apenas uma promessa tecnológica e passa a interferir diretamente na forma como imóveis são percebidos em termos de liquidez, acesso e composição patrimonial. O movimento ocorre de maneira gradual, mas altera estruturas que permaneceram rígidas por décadas.
Em um cenário macroeconômico marcado por juros ainda elevados, seletividade do capital e maior exigência de eficiência patrimonial, instrumentos que ampliam liquidez sem exigir a venda integral do ativo passam a ganhar relevância. A tokenização surge justamente nesse ponto de interseção entre tecnologia, mercado de capitais e ativos reais.
Digitalização como resposta a um mercado mais seletivo
Do ponto de vista de Alex Nabuco dos Santos, a tokenização não nasce da busca por inovação em si, mas da necessidade de adaptação a um mercado mais restritivo. Ativos imobiliários tradicionalmente considerados “pesados” no portfólio, pela baixa liquidez e alto ticket, passam a enfrentar maior dificuldade de rotação em ambientes de cautela prolongada.
Nesse contexto, a fragmentação digital do ativo cria uma alternativa intermediária. O imóvel permanece íntegro do ponto de vista físico e jurídico, enquanto sua participação econômica pode ser distribuída em frações menores. Essa lógica reduz barreiras de entrada, amplia o universo de investidores e, sobretudo, altera a dinâmica de liquidez percebida.
Frações não mudam o ativo, mudam o acesso
Alex Nabuco dos Santos esclarece que a tokenização não transforma a natureza do imóvel, mas redefine quem pode acessá-lo. O ativo continua sujeito aos mesmos fundamentos, localização, demanda e risco. O que muda é a estrutura de entrada e saída do capital.
Ao permitir participação fracionada, o mercado passa a absorver investidores que antes estavam fora desse segmento. Isso não significa pulverização indiscriminada, mas reorganização da base de capital. Imóveis corporativos, logísticos ou residenciais de alto padrão passam a dialogar com um público mais amplo, sem perder seu caráter patrimonial.
Liquidez estrutural versus liquidez aparente
Sob essa ótica, Alex Nabuco dos Santos ressalta a diferença entre liquidez estrutural e liquidez aparente. A tokenização melhora a capacidade de negociação das frações, mas não elimina os riscos inerentes ao ativo subjacente. A liquidez real continua condicionada à qualidade do imóvel, à estabilidade da renda e à demanda efetiva.

O risco está em confundir facilidade de transação digital com liquidez econômica plena. Plataformas podem facilitar a troca de participações, mas não corrigem problemas de uso, localização ou gestão. Por isso, a tokenização funciona como amplificador de qualidade, e não como solução para ativos frágeis.
O impacto no comportamento do investidor
Na leitura de Alex Nabuco dos Santos, a digitalização do acesso modifica também o comportamento do investidor. A possibilidade de entrada fracionada reduz a aversão inicial, mas aumenta a exigência por transparência, governança e clareza de fluxo. Investidores passam a analisar o imóvel com critérios mais próximos aos do mercado de capitais.
Esse movimento pressiona gestores e estruturadores a elevar o padrão de informação. Relatórios, previsibilidade de renda e regras claras de saída tornam-se essenciais. A tokenização, nesse sentido, impõe disciplina adicional ao mercado imobiliário, aproximando-o de práticas mais maduras de alocação.
Regulação e maturidade do modelo
Alex Nabuco dos Santos frisa que a evolução da tokenização depende diretamente do ambiente regulatório. Em 2026, o avanço ocorre cautelosamente, com estruturas híbridas que combinam inovação tecnológica e segurança jurídica. Modelos bem-sucedidos tendem a ser aqueles que respeitam o arcabouço legal existente, em vez de tentar contorná-lo.
A maturidade do modelo não está na velocidade de adoção, mas na consistência das estruturas criadas. Tokenizar não é apenas emitir frações digitais, mas organizar governança, direitos econômicos e responsabilidades de forma clara. Sem isso, a inovação perde credibilidade e se torna apenas narrativa.
Tokenização como ferramenta, não como tese central
Para Alex Nabuco dos Santos, a tokenização deve ser encarada como ferramenta de eficiência, não como tese de investimento isolada. Ela não substitui a análise imobiliária tradicional, nem elimina riscos de mercado. O valor continua sendo gerado pelo ativo, não pelo formato de acesso.
Quando bem utilizada, a tokenização amplia alternativas de alocação, facilita rebalanceamentos patrimoniais e melhora a circulação de capital. Quando tratada como solução universal, tende a criar expectativas desalinhadas. A diferença está na leitura estratégica de seu papel dentro do portfólio.
O que muda, de fato, no mercado imobiliário
Por fim, Alex Nabuco dos Santos observa que a principal mudança trazida pela tokenização não é tecnológica, mas estrutural. O mercado imobiliário passa a dialogar com uma lógica mais próxima do mercado financeiro, sem perder sua essência de ativo real. Liquidez deixa de ser atributo binário e passa a ser graduada.
Em um ambiente macroeconômico mais exigente, essa flexibilidade ganha valor. Não como promessa de retorno acelerado, mas como capacidade de adaptação. A tokenização não transforma imóveis ruins em bons ativos, mas amplia o alcance dos ativos consistentes. Em ciclos longos, essa diferença tende a se tornar cada vez mais relevante para quem pensa patrimônio de forma estratégica.
Autor: James Smith