PF já fez 52 operações contra desvios de verbas para combate à Covid-19

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a Polícia Federal já realizou 52 operações contra desvios de recursos públicos destinados a combater o avanço da doença. O número de ações contribuiu para que houvesse um recorde de apreensões de bens e dinheiro em espécie: R$ 5,4 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, cifra maior do todos os outros anos da série histórica, iniciada há doze anos. O dado se refere apenas a ações de enfrentamento à corrupção, excluindo, por exemplo, investigações que miram o tráfico de drogas. No ano passado, foram apreendidos R$ 2,7 bilhões e, em 2018, R$ 2,5 bilhões. Para chegar ao montante em cada ano, a PF usa a tabela Fipe para atribuir preço aos veículos, o valor de mercado para imóveis e a cotação do dia para as moedas estrangeiras.

Leia nesta edição: os planos do presidente para o Supremo. E mais: as profundas transformações provocadas no cotidiano pela pandemiaVEJA/VEJA

Uma das últimas medidas de Sergio Moro antes de deixar o comando do Ministério da Justiça e acusar o presidente Jair Bolsonaro de interferência na PF foi, justamente, determinar a criação de um grupo dentro da instituição para apurar fraudes em contratos relacionados à Covid-19. Uma portaria de 17 de abril instituiu, então, o Grupo Especial de Combate à Corrupção e ao Desvio de Recursos Públicos (GECOR/COVID-19).

A maioria das ações mirou prefeituras, mas as mais rumorosas foram as relativas aos governos estaduais, entre elas, a que levou ao afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), por ordem do ministro Benedito Gonçalves do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em agosto deste ano. Ele já havia sido alvo da Operação Placebo em maio. Em meio às acusações, Witzel disse que o presidente Jair Bolsonaro usava a PF como instrumento de perseguição política. Além dele, foram alvos os governadores do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do Pará, Helder Barbalho (MDB).

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