Ricardo Eletro apresenta plano de recuperação com deságio de até 85%

Com 4 bilhões de reais em dívidas, a Máquina de Vendas, controladora da marca varejista Ricardo Eletro, apresentou a minuta de seu plano de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo. Dentre os destaques no documento, a empresa prevê que a amortização gradual de suas dívidas seja efetuada por meio de cash sweep, o uso do excedente do fluxo de caixa, após caixa mínimo anual de 100 milhões de reais, com deságio de 85%. Ex-funcionários da holding serão preconizados no processo. A varejista almeja pagá-los em até 12 meses, respeitando o teto de 150 salários mínimos por credor. Mais de 3.400 profissionais perderam seus empregos em decorrência do fechamento das 320 lojas da rede, entre o fim de julho e o início de agosto. No caso de microempresas e companhias de pequeno porte, os créditos até 1.500 reais serão pagos em 24 meses. Aqueles que excederem essa quantia entrarão numa fila de quirografários – ou seja, esperarão mais para receber os encargos. A Geriba Participações, com 1,3 bilhão de reais a receber, é a maior credora no processo. Marko Jovovic, sócio-administrador do fundo, é presidente do conselho da Dommo Energia, antiga OGX.

A Máquina de Vendas vê a recuperação judicial como um momento transitório para sua reconstrução. A despeito da incerteza no horizonte, a companhia não está medindo esforços para aprimorar seu modelo de marketplace. Hoje, são mais de 2.000 representantes espalhados em 25 estados do país. A sobrevivência da corporação, que outrora esteve entre as cinco maiores redes de eletroeletrônicos no Brasil, passa pelas vendas no canal digital. Até por isso, a empresa tem reforçado o seu corpo executivo com profissionais que tenham expertise no varejo on-line, conforme antecipou esta coluna. A aposta para o futuro é que o marketplace da marca Ricardo Eletro se torne cada vez mais relevante. Há de se ressaltar, no entanto, que a companhia larga muito atrás se comparada a rivais como Magazine Luiza, Mercado Livre e Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia, Ponto Frio e do site do Extra, na disputa pelo bolso do consumidor.

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