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O Centro do Poder Notícias > Blog > Política > STF define André Mendonça como relator do caso que envolve Flávio Bolsonaro
Política

STF define André Mendonça como relator do caso que envolve Flávio Bolsonaro

Por Camilla Delvani 23 de julho de 2026 7 Min de leitura
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Fachin decidiu que investigação sobre financiamento do filme “Dark Horse” e ligação com o Banco Master ficará com o ministro, após pedido da PGR.

Contents
Como o caso chegou às mãos de MendonçaO que está em jogo para Flávio BolsonaroRepercussão e próximos passos

O Supremo Tribunal Federal entrou, nas últimas semanas, em uma nova etapa de um caso que já vinha sendo acompanhado de perto pelo meio político: a investigação batizada de “Dark Horse”. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu que caberá ao ministro André Mendonça relatar o pedido de apuração contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão encerra, ao menos por ora, uma disputa sobre qual ministro ficaria responsável pelo caso, tema que gerou reação até da defesa do próprio senador. O episódio ganhou força depois que uma reportagem revelou que Flávio teria pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro recursos milionários para financiar uma produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai. A partir daí, um deputado apresentou uma notícia-crime pedindo que a Justiça investigasse a origem e o destino desse dinheiro.

Como o caso chegou às mãos de Mendonça

A notícia-crime que deu origem à investigação foi apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo o pedido, existiria uma ligação entre o financiamento do filme pelo Banco Master, a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que teria sido sustentada, em parte, com recursos vindos da mesma produção. Inicialmente, o caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, já que Lindbergh pedia a ampliação do inquérito que apura a conduta de Eduardo Bolsonaro, do qual Moraes é relator. A discussão sobre quem deveria conduzir a apuração, porém, precisou passar pelo crivo do presidente da Corte, já que envolvia uma possível redistribuição do processo entre gabinetes.

Antes de decidir, Fachin pediu a manifestação da Procuradoria-Geral da República. O órgão, em parecer apresentado em uma segunda-feira, defendeu que o caso fosse redistribuído para André Mendonça, argumentando que os fatos narrados se conectam mais diretamente à investigação sobre o Banco Master e sobre Daniel Vorcaro, da qual Mendonça já era relator por prevenção. Fachin acolheu esse entendimento e determinou a mudança, afirmando que as circunstâncias justificavam a redistribuição dos autos ao colega. Com isso, Mendonça passou a acumular tanto a apuração sobre o banqueiro quanto a que envolve o senador Flávio Bolsonaro, o que, na avaliação de operadores do direito ouvidos pela imprensa, tende a dar mais coerência à condução das duas frentes de investigação, que compartilham boa parte dos fatos e das provas já reunidas.

Vale lembrar que a defesa de Flávio Bolsonaro chegou a se movimentar em uma frente paralela, pedindo ao presidente do STF que um caso distinto, relacionado a emendas parlamentares supostamente usadas para beneficiar a mesma produção cinematográfica, também fosse tirado da relatoria do ministro Flávio Dino e encaminhado a Mendonça. Segundo apurações publicadas, essa investigação apura se recursos de emendas destinados a uma organização não governamental teriam, na prática, ajudado a bancar o filme. A defesa argumenta que esse caso guarda relação direta com o processo do Banco Master, motivo pelo qual deveria seguir a mesma lógica de prevenção adotada na decisão de Fachin.

O que está em jogo para Flávio Bolsonaro

Do ponto de vista jurídico, a centralização das investigações em torno de um único relator tende a acelerar a produção de provas e a análise de eventuais conexões entre os fatos apurados. Isso significa que qualquer decisão tomada em uma das frentes, como quebras de sigilo ou depoimentos, poderá ser aproveitada nas demais, o que dá ao ministro Mendonça uma visão mais ampla do conjunto de indícios reunidos até aqui. Para o senador, o cenário representa ao mesmo tempo um risco e uma oportunidade: risco porque a concentração das apurações pode facilitar o avanço da investigação, e oportunidade porque a defesa poderá lidar com um único interlocutor no tribunal, evitando decisões contraditórias entre gabinetes diferentes.

O caso ocorre em um momento politicamente sensível, já que o Brasil se aproxima do calendário eleitoral de 2026, e qualquer desdobramento envolvendo a família Bolsonaro tende a repercutir tanto no debate público quanto nas articulações partidárias em curso. Aliados do senador têm defendido publicamente que a investigação seria motivada por perseguição política, enquanto parlamentares da oposição ao PL sustentam que o caso precisa ser esclarecido justamente pela quantia envolvida e pela ligação com um banco que já enfrenta outros problemas regulatórios. Até o momento, não há data definida para que o ministro Mendonça apresente decisões de mérito sobre os pedidos de investigação, e o processo corre em sigilo, o que limita o acesso a detalhes mais específicos sobre o andamento das apurações.

Repercussão e próximos passos

A escolha do relator não encerra o caso, apenas define o rito que ele seguirá dentro do STF. Os próximos passos devem incluir a análise formal da notícia-crime pelo ministro Mendonça, que poderá pedir diligências complementares, ouvir testemunhas ou até arquivar o pedido, caso entenda que não há elementos suficientes para abrir uma investigação formal. Também é possível que a defesa de Flávio Bolsonaro apresente novos recursos contestando aspectos processuais da decisão de Fachin, o que é comum em casos dessa natureza dentro do Supremo.

Enquanto isso, o noticiário político segue de olho em qualquer novo documento ou depoimento que venha a público, já que o caso Dark Horse se tornou um dos pontos de atenção do primeiro semestre de 2026 dentro do STF. A forma como a investigação avançar poderá influenciar tanto a imagem pública do senador quanto o debate sobre o papel do Banco Master em outras frentes de apuração que já estavam em curso antes mesmo do episódio do filme. Por ora, o que está definido é apenas quem conduzirá a análise: o desfecho, esse, ainda depende de meses de trabalho dentro do tribunal.

Fontes:

  • Jornal de Brasília
  • CartaCapital
  • Diário de Pernambuco
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