O desemprego no Chile alcançou 9,6% no trimestre móvel encerrado em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026. O período analisado corresponde aos meses de junho, julho e agosto. Em comparação com o mesmo intervalo de 2025, a taxa de desocupação aumentou 1 ponto percentual.
O resultado veio acompanhado por uma redução de 0,9% no número de pessoas ocupadas e por um crescimento de 13% entre os desocupados. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Emprego e indicam uma deterioração recente em diferentes indicadores do mercado de trabalho chileno, em um momento no qual o governo tenta articular medidas para estimular a atividade econômica e a geração de vagas.
Participação e ocupação recuam
De acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas do Chile, a taxa de participação ficou em 61,5% no trimestre encerrado em agosto. O indicador considera a parcela da população em idade de trabalhar que está ocupada ou procurando emprego. Já a taxa de ocupação recuou para 55,6%, refletindo a diminuição da proporção de pessoas que efetivamente tinham trabalho.
Outro dado destacado pelo INE foi a queda de 2,4% no volume total de horas efetivamente trabalhadas em relação ao mesmo período do ano anterior. A média semanal ficou em 36,4 horas. O conjunto dos números mostra que a pressão sobre o mercado não aparece apenas na taxa de desemprego, mas também no nível de ocupação e na quantidade de horas dedicadas ao trabalho.
Desigualdade entre homens e mulheres
A taxa de desocupação apresentou diferença entre os gêneros. Entre as mulheres, o índice ficou em 10,3%, enquanto entre os homens alcançou 9,1%. A distância de 1,2 ponto percentual evidencia que o desemprego atingiu as trabalhadoras com maior intensidade no período analisado.
O aumento anual da desocupação ocorreu em um cenário de retração no número de ocupados e de expansão da quantidade de pessoas sem trabalho. O levantamento oficial não estabelece, na divulgação considerada, uma causa única para o movimento. Por isso, os dados devem ser lidos como um retrato estatístico do mercado de trabalho entre junho e agosto, sem atribuir automaticamente o resultado a uma medida específica ou a um setor isolado.
Região Metropolitana registra taxa de 9,8%
Na Região Metropolitana, a taxa de desocupação foi ainda maior que a média nacional e chegou a 9,8%. O número de pessoas ocupadas na área recuou 1% na comparação anual. Por concentrar uma parcela expressiva da população e da atividade econômica do país, o desempenho metropolitano amplia a relevância do resultado para a leitura sobre o emprego no Chile.
Segundo o INE, informação e comunicações, indústria manufatureira e atividades de saúde foram os setores que mais contribuíram para a redução do número de pessoas ocupadas na Região Metropolitana. A divulgação, no entanto, não informa que os três segmentos tenham sido os únicos responsáveis pela queda, mas aponta sua maior contribuição dentro do recorte regional apresentado.
Governo anuncia plano para estimular empregos
Dois dias antes da divulgação dos dados, em 28 de setembro, o governo chileno apresentou o plano Chile Despega. Conforme informações publicadas pelo Governo do Chile, a iniciativa prevê mobilizar 1,3 trilhão de pesos chilenos em investimentos, obras públicas e subsídios, com a meta de estimular a criação de mais de 100 mil postos de trabalho.
O Ministério do Interior do Chile também apresentou o Chile Despega como um plano voltado à criação de empregos e à reativação econômica. A proposta passa a integrar a resposta oficial ao cenário revelado pela pesquisa de emprego, embora seus efeitos ainda não possam ser medidos pelos números do trimestre junho-agosto, período encerrado antes do anúncio.
O próximo acompanhamento dos indicadores será importante para verificar se os investimentos, as obras e os subsídios anunciados conseguem influenciar a ocupação e reduzir a desocupação. Por enquanto, o dado mais recente do INE mostra que o desemprego no Chile avançou para 9,6%, com impactos nacionais e um resultado ainda mais elevado na Região Metropolitana.