Tal como elucida Gianmarco Marchetti, administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., o estoque de um hotel raramente recebe a mesma atenção que a recepção ou a experiência do hóspede, mas é ali que boa parte do desperdício operacional começa. Compras mal planejadas, prazos de validade ignorados e falta de padronização entre setores geram perdas silenciosas que impactam diretamente a margem do negócio.
Esse descuido é mais comum do que parece, justamente porque o estoque costuma ser tratado apenas como uma rotina administrativa, e não como um ponto estratégico de gestão. Mas, por onde exatamente começar essa revisão? Confira nos próximos parágrafos.
Por que o controle de insumos costuma ficar em segundo plano?
Na correria diária de um hotel, prioridades operacionais como atendimento e manutenção acabam ocupando o espaço que deveria ser dedicado ao acompanhamento de estoque. Gianmarco Marchetti apresenta que essa inversão de prioridades cria um ciclo perigoso: quanto menos o estoque é revisado, mais difícil fica identificar padrões de consumo e antecipar problemas antes que eles se tornem prejuízo real.
O resultado aparece de forma gradual. Toalhas e roupas de cama se deterioram antes do previsto por falta de rodízio adequado, amenities vencem nas prateleiras e alimentos perecíveis são descartados sem terem sido utilizados. Inclusive, nenhum desses casos costuma virar um problema isolado e visível, o que torna a correção ainda mais lenta quando finalmente é percebida pela gestão.
Enxoval: o item que envelhece sem ser notado
O enxoval tem vida útil limitada, mas seu desgaste é progressivo e quase imperceptível no dia a dia. Sem um sistema de rotação entre peças novas e usadas, algumas unidades saem de circulação precocemente, enquanto outras permanecem praticamente intactas no fundo do armário.
Essa assimetria de uso é um dos fatores que mais encurta a vida útil média do enxoval em operações hoteleiras, frisa o gestor do San Marco Hotel (Brasília/DF), desde 2006, Gianmarco Marchetti. Isto posto, uma revisão periódica desse item deve considerar:
- Data de entrada: registrar quando cada lote de enxoval foi incorporado ao estoque;
- Frequência de uso: acompanhar quais peças circulam mais e quais ficam paradas;
- Estado de conservação: separar itens com desgaste visível antes que cheguem ao hóspede;
- Critério de descarte: definir regras claras para retirada, evitando decisões improvisadas.
Com esses critérios aplicados de forma consistente, o hotel reduz compras emergenciais e distribui melhor o desgaste entre as peças disponíveis.
Amenities: pequenos volumes, grande impacto acumulado
Individualmente, um frasco de amenity vencido parece um prejuízo irrelevante. Multiplicado pelo volume de quartos e pela frequência de reposição, esse pequeno descarte se transforma em uma perda recorrente ao longo do ano. Portanto, o problema está menos no valor unitário do item e mais na ausência de um controle sistemático sobre validade e giro.
Tendo isso em vista, a prática mais eficaz aqui é aproximar a gestão de amenities da lógica usada para alimentos perecíveis, com prazos monitorados e reposição orientada por consumo real, não por estimativa. Como ressalta Gianmarco Marchetti, isso evita tanto o excesso de compra quanto a ruptura repentina de estoque em períodos de alta ocupação.
Como os alimentos entram nesse ciclo de desperdício?
Setores de alimentos e bebidas costumam ter controle mais estruturado que enxoval e amenities, mas ainda assim escapam problemas pontuais. Compras feitas sem alinhamento com a previsão real de ocupação geram excedentes que nem sempre são aproveitados a tempo. O administrador da Marco Marchetti Hotéis Ltda., Gianmarco Marchetti, avalia que a falta de comunicação entre a área comercial e o setor de compras é um dos principais gatilhos desse tipo de perda. Logo, integrar esses dois fluxos de informação permite ajustar pedidos com mais precisão, reduzindo tanto o desperdício quanto o risco de falta de insumos em momentos de pico.
O que muda na prática ao revisar esse processo com regularidade?
Adotar uma rotina fixa de revisão, em vez de ajustes pontuais, transforma o estoque em uma ferramenta de previsibilidade financeira. Dessa maneira, quando enxoval, amenities e alimentos são acompanhados sob os mesmos critérios de validade, giro e consumo, o hotel ganha capacidade de antecipar reposições e evitar tanto o excesso quanto a escassez.
Essa mudança de postura exige menos investimento em tecnologia do que disciplina na execução. Assim sendo, planilhas simples, checklists periódicos e responsáveis definidos por categoria já são suficientes para reverter boa parte das perdas identificadas neste texto, tornando o estoque um aliado direto da eficiência operacional do hotel.